Escolas inovam com modelo alternativo

Dois grupos de escolas públicas da Califórnia chamaram a atenção na semana passada durante o Transformar, evento sobre inovação e uso de tecnologia na educação. High Tech High e Summit trabalham conceitos como currículo baseado em projetos e personalização do ensino, além de adotarem plataformas digitais para complementar o trabalho do professor.
Alunos do ensino fundamental no Capão Redondo usam plataforma de ensino digital nas aulas - José Patrício/Estadão
José Patrício/Estadão
Alunos do ensino fundamental no Capão Redondo usam plataforma de ensino digital nas aulas
Outro ponto liga os colégios: eles funcionam no modelo charter, em que o governo transfere a gestão escolar a uma entidade da sociedade civil. Comum nos EUA, o sistema não deslanchou no País nem é apontado por especialistas como a saída mais eficaz para melhorar a educação pública.
Pesquisas mostram que, em geral, o desempenho de alunos de escolas charter norte-americanas é igual ao das geridas pelo Estado. Apoiado nesses dados, o diretor executivo da Fundação Lemann, Denis Mizne, diz que é preciso olhar como a flexibilidade administrativa das escolas permitiu a introdução de inovações.
"É fundamental testarmos no Brasil modelos de ensino que parecem promissores. Quem vai gerenciar essas mudanças não me parece a discussão mais importante", diz.
Na opinião de Mizne, parte da verba para educação pública deveria ser aplicada em inovação, em um movimento combinado com a concessão de autonomia para alguns professores e diretores "radicalizarem". "É muito difícil para um governo tomar uma decisão que afetará toda a rede."
Para a gerente da Fundação Itaú Social, Isabel Santana, porém, faltam estratégias de transferência para toda a rede do conhecimento adquirido em núcleos de excelência. "Essas escolas devem contaminar as demais. A rede pública deve ser boa para todos os alunos, não para alguns."
Pesquisadora da fundação, Patrícia Guedes lembra que a "cultura de parceria" entre governo e setor privado é mais antiga nos EUA. "As escolas charter de lá surgiram nesse contexto. O modelo não pegou aqui porque temos desafios diferentes, pois garantimos mais recentemente o acesso de todos ao ensino básico."
Para a reitora de Admissões da High Tech High, Melissa Agudelo, o Brasil precisa "sair do caminho" e dar a chance a quem quer inovar. "Só precisa dar financiamento adequado, boas instalações e deixar pessoas criativas apresentarem seus projetos."

Nos EUA, aulas durante as férias oferecem mais do que reforço

Cursos oferecidos durante o verão são reformulados e misturam conteúdos acadêmicos e culturais

NYT
Há poucos anos, escolas de todos os Estados Unidos estavam cortando as aulas de férias de verão por falta de orçamento. Agora, apesar dos desafios orçamentários permanecerem, muitos distritos estão reformulando os cursos de férias, tornando-os algo além de um exercício obrigatório de recuperação. 

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De acordo com a ONG National Summer Learning Association, 25 dos maiores distritos escolares do país desenvolveram programas para o curso de verão que vão além do tradicional reforço. Escolas públicas da cidade de Nova York oferecem no verão opções que misturam conteúdos acadêmicos com enriquecimento cultural, como aulas intensivas de artes e um programa que combina aulas com estágio remunerado.
NYT
Aulas de ciências no verão na Escola de ensino fundamental Sallye B. Mathis, em Jacksonville
Em Jacksonville, o ano letivo terminou há três semanas, mas Roshelle Campbell continua levando seu filho Gregory para um dia de aulas cheio. Gregory, de 6 anos, é um dos mais de 300 alunos que vão passar seis semanas de suas férias de verão na escola Mathis, mas não porque foi mal nas provas. “Ele sempre foi muito esperto. Acho que a educação é muito importante e não quero que ele perca oportunidades durante as férias de verão”, diz a mãe.
Mesmo em distritos com graves problemas fiscais, como Baltimore, Chicago, Filadélfia, Pittsburgh e San Francisco, autoridades da educação conseguiram ajuda da organizações filantrópicas, particularmente daquelas que acreditam que as aulas nas férias podem ajudar os estudantes com condições sociais desfavorecidas. “Conheço vários alunos de escolas públicas que estão na Europa ou em acampamentos. Isso é ótimo, mas temos de pensar se todas as crianças têm acesso e oportunidades, se não passam o dia em casa vendo desenhos e comendo porcarias”, diz Nikolai Vitti, superintendente das escolas públicas do distrito de Duval.
Cada vez mais os educadores veem o verão como uma época para reforçar o conteúdo que as crianças – incluindo tanto as de alto desempenho quanto as que apresentam dificuldades – aprendem durante o ano letivo. Junto com leitura, matemática e ciências, as escolas têm oferecido atividades de artes e músicas, vela, esgrima e karatê, além de passeios a museus e teatros.
Pesquisas mostraram que os estudantes regridem durante as férias, perdendo em média um mês de instrução por ano, com a chamada queda de verão afetando desproporcionalmente os alunos de renda mais baixa. A falta de programas de qualidade durante o verão também afeta famílias em que ambos os pais trabalham, deixando as crianças com poucas opções durante os longos meses de folga.
Enriquecer os cursos de verão “deveria ser parte da educação pública até que conseguíssemos reorganizar o calendário escolar tradicional, que não se encaixa mais na vida dos americanos”, diz Harris M. Cooper, professor de educação na Universidade Duke. “Acrescentar 20 dias de aula por ano e ter vários intervalos curtos em vez de um único longo período de férias se encaixa melhor com a forma que as famílias vivem e no jeito que as crianças aprendem.”
Em um esforço para avaliar que tipo de programa produz melhores resultados acadêmicos, a Wallace Foundation iniciou um estudo em vários distritos, com 5.700 alunos que vão entrar no quarto ano. O estudo vai comparar os resultados em testes padronizados ao longo de dois anos, assim como fatores comportamentais, como a habilidade dos alunos de trabalhar em grupo e persistir nas tarefas.
NYT
Estudante da quarta série se diverte com games de matemática e ciências nas férias
Em uma manhã recente, na escola fundamental de Mathis, sete estudantes do quarto ano estavam juntos em um computador da biblioteca para escrever o script de um curta metragem que eles produziriam mais tarde. O professor de inglês andava entre grupos de estudantes, fazendo gentilmente sugestões de edição e ajudando na pontuação. “Isso é muito mais divertido do que a escola”, disse Asi’yon Brinson, 9 anos.
Ao escrever o script o aluno usa as habilidades acadêmicas, mas de um jeito mais divertido do que em um exercício regular das aulas de inglês. “Eles nem percebem que estão aprendendo a escrever”, diz a diretora da escola, Angela Maxey. Segundo ela, o programa também está servindo como uma espécie de laboratório para novas ideais pedagógicas. “Era assim que a escola deveria ser durante o ano inteiro”, afirmou.
Mas Angela foi contundente sobre o fato de que ter o financiamento de uma ONG permitiu iniciativas improváveis normalmente, como dar festas de sorvete para os alunos. “Você pode dizer que poderíamos usar o dinheiro de outra forma. Mas as crianças estão sorrindo, elas não tem faltado e estão aprendendo. Parte do esforço é motivar as crianças a aprender durante o verão.”
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    “Educação vem de casa, mas se não vier vou dar na escola”, diz professor e autor

    Prestigiado pelos alunos e reconhecido até no exterior, jovem professor mostra que briga por mais salário e condições pode estar ao lado da luta por garantia do direito do aluno

    O professor Rodrigo Ciríaco durante uma apresentação do Sarau dos Mesquiteiros

    Nascido e criado na zona leste de São Paulo, Rodrigo Ciríaco, 31 anos, se formou em História na Universidade de São Paulo (USP) e foi trabalhar no lugar em que cresceu. Dá aulas de história na escola estadual Jornalista Francisco Mesquita e criou um grupo de estudo de literatura chamado Sarau dos Mesquiteiros, com apresentações que reúnem cada vez mais público. Paralelamente publicou os livros “Te pego lá fora” e “100 mágoas”, em que muitas histórias são inspiradas no cotidiano escolar.
    Em março viajou para Itália, Bélgica e França como convidado de editora francesa que traduziu parte do seu trabalho. No mês seguinte, estava nas ruas de São Paulo entre os professores grevistas reclamando da desvalorização da carreira. Não ficou contente com o fim das paralisações e conta que, apesar da vocação, pode deixar de ser educador por questões financeiras. Ainda assim, enquanto está na escola, faz um trabalho elogiado. Leia a entrevista:
    iG: Como vê a remuneração dos professores? 
    Rodrigo Ciríaco: A questão salarial é um grande problema mesmo. Por exemplo, eu estou com dois cargos. Acho que o melhor é ter 40 horas em uma única escola, 25 horas em sala e o restante no preparo e ganhando um salário decente. Mas tive que somar dois cargos. Tenho 32 horas na Prefeitura e mais 10 horas no Estado e agora estou pensando muito no momento se vou continuar no Estado. Apesar dos projetos, estou pensando em fazer outra atividade que tenha remuneração mais adequada. Até pelo fato de eu ter viajado, por escrever, eu sinto que sou um profissional qualificado, que tenho um valor, mas não recebo isso.
    iG: A questão financeira atrapalha o trabalho dos professores? 
    Ciríaco: Também é um problema de falta de atrativo. A partir do momento que você dá, você pode exigir mais e mais. Não dá para pensar no discurso do Cid (Gomes, governador do Ceará, que declarou que professor deve trabalhar por amor). Todo trabalho digno merece ser remunerado. Morei na zona leste a vida toda, depois mudei para o Ipiranga para ficar um pouco mais perto da USP durante a faculdade. Agora que constitui família financiei via Minha Casa, Minha Vida e volto para o bairro, vou morar atrás da escola (Francisco Mesquita). Não tenho visão de padrão de vida, não quero um carro novo. Mas estou fazendo uma pós na Arte de Contar Histórias e um curso de especialização em Design Gráfico e Editoração, estou tentando me qualificar porque infelizmente não sei se posso continuar sustentando minha família sendo professor.
    Devia ter uma fiscalização eficaz sobre nós funcionários da educação. Porque existe sim parâmetros legais para que pessoas que não cumprem com seu trabalho possam ser advertidas, punidas
    iG: O que acha do bônus para professores? 
    Ciríaco: O que se usa hoje de critério para o bônus pode ser manipulado. Já está claro. Além disso gera uma divisão entre grupos de professores e também influencia a própria ideia do que vai ser trabalhado na escola, o que já é um desvio.
    iG: Gestão democrática ajudaria? 
    Ciríaco: A minha visão de democracia respeita o direito à educação de qualidade do aluno. Tem muita escola que tem APM (Associação de Pais e Mestres), Conselho Escolar e na verdade todos seguem a linha da direção. Sou favorável que houvesse eleição direta para a escola. A gente tem um problema muito grave de diretores que são nomeados, apresentam vários problemas na atuação, mas têm proteção por serem ligados ao dirigente. Eu mesmo já tive no passado problemas e denuncias são barradas. Em vez de investigar dizem que tem que conversar e ‘vamos promover a cultura da paz’, mas eu buscava o direito do aluno violado. Se não vai ter eleição, devia ter uma fiscalização eficaz sobre nós funcionários da educação. Porque existe sim parâmetros legais para que pessoas que não cumprem com seu trabalho possam ser advertidas e punidas. Tem uma outra diretora com quem estou trabalhando que faz uso do sistema. Não precisa aceitar profissionais que não fazem um bom trabalho. Falta impessoalidade. Não existe esse regime de legalidade.
    Arquivo pessoal
    Tatuagem no braço direito do educador
    iG: Recebemos muitos comentários de professores que dizem ter desistido de dar boas aulas devido às condições de trabalho, como avalia esta situação?
    Ciríaco: Não acho certo. Independente do salário tem que fazer o melhor. Por outro lado consigo entender os colegas. Porque na maior parte das vezes as pessoas foram absolutamente frustradas pela falta de reconhecimento e de estrutura. Nós temos muito problemas relacionados à saúde. Isso não é reconhecido e não tem a atenção devida. Servidores públicos de educação, saúde e segurança deveriam ter mais atenção à saúde mental. Muitas vezes são pessoas que precisam de ajuda por conta da falta de perspectiva, de orientação e ajuda.
    iG: Já se sentiu assim? 
    Ciríaco: Eu fui buscar esse apoio, faço terapia, quando dá porque é muito caro. Foi uma opção dolorosa pra mim. Eu ganhava R$ 7,50 a hora aula e tinha que dar 10 horas aula para fazer uma hora de terapia. Me perguntei quanto vale minha saúde mental e fiz. O governo e a sociedade precisam ter um olhar para os profissionais que trabalham em área mais delicada. Na saúde e na segurança, o que é até mais grave, também tem gente que deixa de atender se não tem estabilidade. Isso pode matar alguém.
    iG: Diante de tantos problemas, como encontra forças para fazer seu trabalho e ainda projetos adicionais de educação? 
    Ciríaco: Acho que em primeiro lugar é encarar assim: alguém tem que fazer. Aceitei isso como meu ofício. Outra coisa é ter projetos. Se não tivesse os Mesquiteiros não teria força para continuar. Hoje tenho um reconhecimento recente, há 5 anos eu não tinha isso, então o que me dava força eram os projetos, porque vejo resultado. Por mais que me consuma mais tempo, energia, recursos financeiros e de outras ordens tem uma recompensa pessoal porque sempre gostei de artes, cultura, de estar bem próximo a eles.
    Quando um aluno diz que a mãe não vai poder conversar, eu respondo: Fala para sua mãe que é para falar da coisa mais importante que ela tem na vida, que é o filho dela, e da coisa mais importante para o filho dela, que é a educação”
    iG: Qual o papel da sociedade na escola? 
    Ciríaco: Acredito que a sociedade tem um papel fundamental. As pessoas precisam entender e exercer o poder da comunidade na escola, por mais que trabalhem, tenham compromisso. Quando eu falo para um aluno pedir para o pai vir, às vezes ele já diz que a mãe não tem tempo. Eu respondo: Fala para sua mãe que é para falar da coisa mais importante que ela tem na vida, que é o filho dela, e da coisa mais importante para o filho dela, que é a educação. Pais precisam acompanhar o dia-a-dia, pegar um caderno, perguntar quantas aulas teve. Nós, os professores, estamos apenas uma parte do tempo com esse jovem.
    iG: Educação tem que vir de casa? 
    Ciríaco: Acho que vem de casa, mas se não vier vou dar na escola. Entendo que essa poderia ser a obrigação dos pais, mas cabe ao professor corrigir quando não vem. A função dele não é apenas encher o aluno de conteúdo, mas situá-lo na relação que vai ter com outras pessoas, ensinar tolerância, respeito a diversidades cultural, religiosa. A escola é o primeiro espaço público de convivência que essa criança tem. Esperar que venha pronto de casa é esperar demais. O professor é educador, uma complexão maior.
    iG: E o professor que vê uma situação impossível? 
    Ciríaco: Acho que se o professor acha impossível, precisa fazer outra coisa. O educador precisa acreditar que nada é impossível. A gente precisa mesmo ter paciência além do normal, tolerância além do religioso, do comum. Difícil é. Se já desistiu, não tem como ter resultado nenhum. Se eu faço, pode ser que consiga ou não: 50% de chance. Se não faço é 100% de certeza que o aluno não aprende. Muitas apostas que fiz deram errado e outras deram certo. O diálogo é a forma mais honesta. Tentar se conquistar, entender as razões do aluno e mostrar a ele as minhas, com diálogo e respeito. Muitas vezes o que a gente fala não é o que o outro ouve e, muito menos, entende. Ganhar um aluno, principalmente dentro da escola, não é fácil. Nem sempre vai ser possível, mas sempre vai ter que tentar.
    iG: E como lidar com os casos de violência? 
    Ciríaco: Sempre tem violência. As pessoas talvez pensem que a escola está protegida, mas ela é reflexo da sociedade. Até que a violência dentro dela é menor. Tem situações de violência, sim. Momentos de conflito vão acontecer, é inerente às relações humanas. O problema é a forma como vamos resolver. Ignorar pode levar para uma situação maior. Nada começa grande. É muito raro o aluno do nada agredir professor. Qual a história dele com a escola?
    iG: Ser pai alterou sua vida? 
    Ciríaco: Na minha vida mudou tudo, tenho AM e PM, antes de Malu e Pós Malu. Pra mim veio um pensamento bom de que estava no caminho certo porque o que faço pelos alunos é o mesmo que quero para minha filha. São coisas diferentes, agora estou em outro papel, mas quero o mesmo para ela e eles.
    iG: As viagens que fez mudaram sua perspectiva? 
    Ciríaco: Enquanto educador virei uma referência positiva para os alunos verem que estudar pode ser legal, coloquei provocações no Facebook como “Estudar não leva você a lugar nenhum” e a lista de lugares que estava visitando como convidado.
    iG: Por que tatuou “O estudo é o escudo”? 
    Ciríaco: Tava ensaiando há dois anos, fiz em 8 de fevereiro. Primeiro tatuei o nome da minha filha antes de ela nascer. Aí quis fazer uma que falasse da minha vida e uma coisa que é muito importante para mim. Essa frase do Gog diz muita coisa. Minha filha nasceu em um parto com complicações e só consegui fazer com que tivesse o atendimento certo porque usei meus conhecimentos. Salvei minha filha. E tudo que tenho, pode ser um imóvel financiado em 25 anos, realizei pelo estudo.

    Brasil fica em penúltimo lugar em ranking global de qualidade de educação

    País ficou na frente apenas da Indonésia em levantamento que comparou desempenho de 40 nações ao redor do mundo

    BBC |
    BBC
    O Brasil ficou em penúltimo lugar em um ranking global de educação que comparou 40 países levando em conta notas de testes e qualidade de professores, dentre outros fatores.
    A pesquisa foi encomendada à consultoria britânica Economist Intelligence Unit (EIU), pela Pearson, empresa que fabrica sistemas de aprendizado e vende seus produtos a vários países.

    Em primeiro lugar está a Finlândia, seguida da Coreia do Sul e de Hong Kong.
    Os 40 países foram divididos em cinco grandes grupos de acordo com os resultados. Ao lado do Brasil, mais seis nações foram incluídas na lista dos piores sistemas de educação do mundo: Turquia, Argentina, Colômbia, Tailândia, México e Indonésia, país do sudeste asiático que figura na última posição.

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    Os resultados foram compilados a partir de notas de testes efetuados por estudantes desses países entre 2006 e 2010. Além disso, critérios como a quantidade de alunos que ingressam na universidade também foram empregados.

    Para Michael Barber, consultor-chefe da Pearson, as nações que figuram no topo da lista valorizam seus professores e colocam em prática uma cultura de boa educação.
    Ele diz que no passado muitos países temiam os rankings internacionais de comparação e que alguns líderes se preocupavam mais com o impacto negativo das pesquisas na mídia, deixando de lado a oportunidade de introduzir novas políticas a partir dos resultados.
    Dez anos atrás, no entanto, quando pesquisas do tipo começaram a ser divulgadas sistematicamente, esta cultura mudou, avalia Barber.
    "A Alemanha, por exemplo, se viu muito mais abaixo nos primeiros rankings Pisa [sistema de avaliação europeu] do que esperava. O resultado foi um profundo debate nacional sobre o sistema educacional, sérias análises das falhas e aí políticas novas em resposta aos desafios que foram identificados. Uma década depois, o progresso da Alemanha rumo ao topo dos rankings é visível para todos".
    No ranking da EIU-Person, por exemplo, os alemães figuram em 15º lugar. Em comparação, a Grã-Bretanha fica em 6º, seguida da Holanda, Nova Zelândia, Suíça, Canadá, Irlanda, Dinamarca, Austrália e Polônia.
    Cultura e impactos econômicos
    Tidas como "super potências" da educação, a Finlândia e a Coreia do Sul lideram o ranking, e na sequência figura uma lista de destaques asiáticos, como Hong Kong, Japão e Cingapura.
    Alemanha, Estados Unidos e França estão em grupo intermediário, e Brasil, México e Indonésia integram os mais baixos.
    O ranking é baseado em testes efetuados em áreas como matemática, ciências e habilidades linguísticas a cada três ou quatro anos, e por isso apresentam um cenário com um atraso estatístico frente à realidade atual.
    Mas o objetivo é fornecer uma visão multidimensional do desempenho escolar nessas nações, e criar um banco de dados que a Pearson chama de "Curva do Aprendizado".
    Ao analisar os sistemas educacionais bem-sucedidos, o estudo concluiu que investimentos são importantes, mas não tanto quanto manter uma verdadeira "cultura" nacional de aprendizado, que valoriza professores, escolas e a educação como um todo. Daí o alto desempenho das nações asiáticas no ranking.
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    Nesses países o estudo tem um distinto grau de importância na sociedade e as expectativas que os pais têm dos filhos são muito altas.
    Comparando a Finlândia e a Coreia do Sul, por exemplo, vê-se enormes diferenças entre os dois países, mas um "valor moral" concedido à educação muito parecido.
    O relatório destaca ainda a importância de empregar professores de alta qualidade, a necessidade de encontrar maneiras de recrutá-los e o pagamento de bons salários.
    Há ainda menções às consequências econômicas diretas dos sistemas educacionais de alto e baixo desempenho, sobretudo em uma economia globalizada baseada em habilidades profissionais.

    Veja como ficou o ranking Pearson-EIU:
    1. Finlândia
    2. Coreia do Sul
    3. Hong Kong
    4. Japão
    5. Cingapura
    6. Grã-Bretanha
    7. Holanda
    8. Nova Zelândia
    9. Suíça
    10. Canadá
    11. Irlanda
    12. Dinamarca
    13. Austrália
    14. Polônia
    15. Alemanha
    16. Bélgica
    17. Estados Unidos
    18. Hungria
    19. Eslováquia
    20. Rússia
    21. Suécia
    22. República Tcheca
    23. Áustria
    24. Itália
    25. França
    26. Noruega
    27. Portugal
    28. Espanha
    29. Israel
    30. Bulgária
    31. Grécia
    32. Romênia
    33. Chile
    34. Turquia
    35. Argentina
    36. Colômbia
    37. Tailândia
    38. México
    39. Brasil
    40. Indonésia

    Concurso Seduc-am 2013


    A Secretaria de Estado de Educação (Seduc) deve realizar novo concurso público em 2013, além de convocar quem integra o cadastro de reserva da última seleção, ocorrida em maio de 2011. O certame depende da aprovação pela Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALE-AM) do projeto de lei nº 269/2012 encaminhado anteontem pelo Governo do Estado, que cria 9.637 cargos para professores e merendeiros e dá outras providências.
    De acordo com o governador Omar Aziz, um novo concurso na Seduc é necessário para atender à expansão da rede estadual de ensino, que avança com a construção de novas escolas de tempo integral e de escolas convencionais na capital e no interior. Somente em Manaus, devem ser construídas 11 escolas até a metade do ano que vem. Entre elas está o Centro Educação de Tempo Integral (Ceti) do conjunto Viver Melhor, na Zona Norte, em fase de licitação, e um outro Ceti em frente à Reserva Duque, também na Zona Norte, previsto para inaugurar no início do ano que vem. Nos próximos dias também deve iniciar a construção de um Ceti em Iranduba, Região Metropolitana de Manaus (RMM).
    O secretário de Estado de Educação, Rossieli Soares da Silva, esclarece que as novas vagas criadas pelo Governo do Estado vão permitir a substituição dos servidores temporários por concursados, ao mesmo tempo em que atenderão ao plano de expansão da rede até 2016. Segundo ele, os preparativos para o novo concurso iniciam tão logo a ALE aprove a criação dos cargos.